Com João XXIII sobrecarregado, Trabalhadores mantêm resistência contra fechamento do Hospital Maria Amélia Lins
Um novo protesto realizado na manhã desta quarta-feira (24/06) em frente ao Hospital João XXIII deu um recado: a luta em defesa do Hospital Maria Amélia Lins não vai acabar. Os servidores resistem ao fechamento do ambulatório que tem capacidade 640 atendimentos mensais. A batalha é para reverter uma cena deplorável: corredores da unidade vazios, com equipamentos hospitalares encostados, servidores aguardando por atendimento, tudo pronto para ser utilizado em contraste com o Hospital João XXIII, com sobrecarga visível devido ao fechamento do HMAL e corredores lotados de pacientes.
Embora a Fhemig tenha anunciado a transferência da gestão do HMAL para a Santa Casa, o processo ainda enfrenta questionamentos e permanece sob análise do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG). A tramitação pode resultar na revisão das medidas adotadas e na retomada das atividades da unidade.
A manifestação desta quarta iniciou no Hospital João XXIII e seguiu para a porta do Maria Amélia Lins. A tentativa da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) de encerrar as atividades do hospital e transferir sua gestão para a iniciativa privada vem sendo contestada por trabalhadores, usuários do SUS e entidades de controle social desde dezembro de 2024. Desde o fechamento, o cálculo levantado é que cerca de 1.500 cirurgias não foram realizadas.
O caso segue em análise no TCE. Uma reunião com o conselheiro Alencar da Silveira Júnior, relator do processo que tramita no Tribunal estava agendada para esta quarta e foi remarcada para amanhã, 25/06/2026.
Caso de paciente internado expõe consequências do fechamento
Em protesto, os trabalhadores alertaram sobre os impactos que o fechamento do bloco acarretou e agora com o fechamento do ambulatório. Essa situação revela que não são só os números do gabinete da direção da Fhemig, mas sobretudo o fator humano que mais se torna vítima nesta história.
João Francisco Martins da Silva atualmente é o único paciente da unidade, fato que acontece por resistência e para o Sind-Saúde desmascara a irresponsabilidade da ação pelo fechamento da unidade que não obedece ao interesse público. A esposa Mônica do paciente esteve no protesto em frente ao HMAL e denunciou o descaso com João Franscisco e relatou o medo de seu marido precisar ser amputado por falta de atendimento.
Fechamento do HMAL aumenta pressão sobre o João XXIII
O HMAL historicamente funciona como unidade de retaguarda do Hospital João XXIII, especialmente para procedimentos ortopédicos. Com a redução da capacidade instalada, trabalhadores denunciam que a demanda represada tem provocado aumento da espera por cirurgias e ocupação dos corredores da principal porta de urgência e emergência de Minas Gerais.
“A partir do momento que eles fecham e diminuem o atendimento os outros hospitais ficam sobrecarregados, a gente vê o João XXIII passando por isso. Essa semana a gente tinha aproximadamente 40 pessoas no corredor do João XXIII e o João Paulo II também. A gestão nega, mas gente sabe que nos bastidores como está”, desabafa uma trabalhadora.
Para o diretor do Sind-Saúde/MG, Renato Barros, a ação do governo já gerou dezenas de sequelas irreversíveis em pacientes que não estariam neste quadro. Renato pede que o governo retroaja para que o Hospital seja reaberto. O diretor do Sindicato também avalia que a qualificação dos servidores do HMAL, com capacitação específica para tratamento ortopédico de alta complexidade, não pode ser dispersada. Um comunicado da Fhemig foi enviado aos servidores para transferência para outras unidades até o dia 22 de junho.
Reabertura do HMAL ainda está em disputa
Os manifestantes também refletiram que a decisão para o fechamento da unidade ainda não está definida. Segundo o vereador de Belo Horizonte Bruno Pedralva, o TCE condenou a Fhemig pelo fechamento e impôs uma multa à presidência da Fundação, o que comprova que o Hospital não deveria estar fechado. Uma das necessidades impostas pelo TCE é a realização de 300 cirurgias ortopédicas por mês e esse número não é absorvido pela Fhemig sem a reabertura do HMAL. “Consequência disso, o corredor do João XXIII está lotado de pacientes, esperando vaga para fazer cirurgia, porque tem um bloco cirúrgico fechado a dois quarteirões daqui, no Maria Amélia Lins”.
Conselho Estadual de Saúde questiona desativação
O Conselho Estadual de Saúde de Minas Gerais (CES/MG) também atua contra a desativação do hospital. A entidade protocolou pedido de efeito suspensivo junto ao TCE-MG para impedir a continuidade dos atos relacionados ao encerramento da unidade, transferência de gestão e alteração do perfil assistencial do HMAL.
O documento foi apresentado diante dos riscos de prejuízos à assistência pública em saúde e da possibilidade de medidas irreversíveis antes do julgamento definitivo do recurso. O CES/MG solicita a suspensão de atos como transferência de servidores, assinatura de contrato de cessão e encerramento de serviços da unidade.
O Conselho também aponta que o HMAL apresentava desempenho assistencial relevante no período em que sua desativação foi anunciada, com produção de 251 procedimentos cirúrgicos mensais, e questiona a ausência de participação prévia do controle social na decisão sobre o futuro do hospital.
Esses pontos serão debatidos em reunião entre o Sind-Saúde/MG, o Conselho Estadual de Saúde e o Tribunal de Contas do Estado nesta quinta-feira (25/06), quando trabalhadores e entidades devem reforçar a defesa da reabertura do Hospital Maria Amélia Lins e da garantia do direito à saúde da população mineira.
suspensivo junto ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE/MG) para impedir a continuidade dos atos relacionados à desativação, transferência de gestão e alteração do perfil assistencial do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL). O documento foi apresentado diante dos riscos de prejuízo à assistência pública em saúde e da possibilidade de medidas irreversíveis antes do julgamento definitivo do recurso.
Esses pontos deverão ser debatidos na reunião entre o Sind-Saúde, Conselho Estadual de Saúde e o TCE na próxima quinta-feira (25/06) à tarde.


