Trabalhadores fazem dois dias de assembleia e elegem mais delegados sindicais





“Quem cuida da saúde daqueles que cuidam da saúde das pessoas?”. Foi com essa frase que a engenheira de segurança do trabalho, Marta de Freitas, iniciou a palestra sobre Saúde do Trabalhor organizada pelo Sind-Saúde/MG. A palestra aconteceu durante a assembleia dos trabalhadores no Hospital Júlia Kubsticheck (HJK) nos dias 24 e 25 de janeiro. Além de um rico debate sobre a saúde do trabalhador, as assembleias elegeram os delegados sindicais. A mesa foi coordenada pela diretora do Sind-Saúde/MG Neuza Freitas que também organizou a palestra e a assembleia.

Marta de Freitas mostrou dados com base na avaliação que a Vigilância Sanitária fez no Hospital. O número insuficiente de trabalhadores, a jornada de trabalho estressante, as instalações inadequadas, os desgastes físicos e mentais, baixos salários, mais de um vínculo empregatício, o assédio moral e os riscos de agressão que os trabalhadores da saúde estão expostos configuram alguns dos itens que Marta apresentou como as condições de trabalho.

Segundo Marta este cenário faz com que o trabalhador viva em permanente “estado de acidente”. Marta de Freitas analisou os índices de acidentes registrados no HJK e mostrou preocupação com a burocratização das CAT’s e a possibilidade de acidentes não serem documentados. “Se acidentes não são registrados corretamente e se existe desconhecimento da pesquisa o trabalho de prevenção não existe” alertou.

Além da contaminação biológica, LER/DORT (Distúrbio Osteo-muscular Relacionado ao Trabalho), acidentes com perfuro cortantes e transtorno mental, as lesões na coluna estão cada vez mais presentes na vida dos trabalhadores da saúde. Uma outra preocupação apontada pela engenheira do trabalho é com a contaminação da tuberculose. De acordo com Marta de Freitas a Fhemig deveria vacinar todos os trabalhadores que lidam com pacientes portadores de TBC e fazer exames periódicos a cada 6 meses. Em um levantamento da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) afirma que em um hospital de referencia no tratamento da doença, em Minas Gerais, encontrou-se 16% dos seus funcionários infectados pelo bacilo da tuberculose.

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No primeiro dia da assembleia, o diretor do Sind-Saúde/MG Renato Barros aproveitou o momento para lembrar os trabalhadores da importância de discutir a carreira, tema que será colocado em negociação com o governo este ano. Uma das reivindicações para a nova carreira da saúde será a redução da jornada e a diminuição do tempo para contagem de tempo e escolaridade, fundamental para evolução do trabalhador. “Queremos a redução de jornada com salários condizentes para que o trabalhador não precise buscar outros vínculos e gerar uma sobrecarga do trabalho e, com isso, o adoecimento” disse Renato.

No segundo dia, a diretora do Sindicato, Lúcia Barcellos, esclareceu os trabalhadores sobre a redução da jornada de 30 horas que, segundo o governo, será efetivada em março. Lúcia também falou sobre o plano de carreiras e as negociações com o governo. “Estamos buscando nas negociações um período menor para a progressão e promoção com o objetivo de reduzir o tempo de acesso do trabalhador à carreira”.

Durante as duas assembleias foram eleitos os delegados sindicais que serão o contato mais presente entre o Sindicato e os trabalhadores do Júlia. Os delegados sindicais tem estabilidade no trabalho assegurada por lei e contribui para a organização diária dos trabalhadores. Veja abaixo os representantes que foram eleitos na assembleia:

 

• Raimundo Nonato Paiva Ferreira (UE)

• Renganeschi Rodrigues Teles Junior (CTI)

• René Rummenggg Guimarães Andrade (UE)

• Fernanda Karina de Jesus Ferreira (UE)

• Maria Marta dos Santos (CME)

• Vanderlise Pereira de Andrade (Laboratório)

• Eustáquio de Freitas (Arquivo)

• Vera Lúcia Ferreira de Souza (CME)

 

*Além dos quatro delegados já existentes no HJK: Antonio Eustáquio (maternidade); Cecília Zenadrez (Ala A); Francisca Anunciata (Semi-intensivo); Márcia Mendes (Ala D).