Medida eleitoreira e sem ouvir trabalhadores
O governador de Minas Gerais Romeu Zema anunciou que enviará à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) projeto de lei que concede 5,4% de reajuste salarial aos servidores públicos estaduais, retroativo a 1º de janeiro de 2026. O Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde) enfatiza que a medida não recompõe as perdas salariais dos servidores e está desconectada com a realidade de desvalorização e arrocho dos salários do funcionalismo. Desde o inicio do mandato do governador Zema, os servidores acumulam mais de 20% de perdas inflacionárias, isso significa que nos oito anos do seu governo o poder de compra dos trabalhadores públicos mineiros despencou pela metade.
O anúncio ocorre em 2026, ano eleitoral e momento em que Zema tenta se projetar nacionalmente. A coincidência temporal levanta questionamentos sobre a motivação da medida. Após anos sem política permanente de recomposição anual, o governo apresenta um índice que não recupera as perdas históricas justamente no momento em que o cenário político exige maior visibilidade e diálogo com categorias estratégicas do serviço público.
O Sind-Saúde também destaca a completa falta de diálogo com os representantes dos trabalhadores. Nenhuma rodada de negociação ou dialogo sobre as demandas dos servidores foi aberta pelo governo durante todo o desgoverno de Zema. Se houvesse compromisso efetivo com a recomposição salarial, a política teria sido implementada de forma contínua ao longo dos mandatos.
Diante deste cenário, o Sindicato evidencia o que também está muito claro aos mineiros e servidores estaduais: não adianta montar palanque se em Minas o trem está desgovernado.

