Laudo técnico do TCE comprova descumprimento de acordo da Fhemig em cirurgias ortopédicas
A maquiagem no plano do governo Zema para justificar a entrega do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL) para a inciativa privada teve mais um episódio que expõe a trama. A denúncia apresentada pelo Sind-Saúde/MG sobre a suposta ampliação de cirurgias ortopédicas na rede Fhemig foi confirmada por relatório de inspeção do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais. Na última quarta (11/03), foi publicado despacho conselheiro Licurgo Mourão que aponta o resultado inspeção realizada pela equipe técnica da Corte com três graves irregularidades no cumprimento da decisão cautelar que determinava a abertura de salas cirúrgicas e a ampliação do número de procedimentos ortopédicos.
Diante dos achados da inspeção, o Tribunal determinou a intimação da presidente da Fhemig, Renata Ferreira Leles Dias, para que apresente justificativas e esclarecimentos no prazo de dez dias.
O acordo com o TCE havia estabelecido que a Fhemig deveria garantir a abertura de seis salas cirúrgicas e capacidade mínima para realização de 300 cirurgias ortopédicas mensais, distribuídas em hospitais da rede.
No entanto, o relatório técnico identificou que:
• duas salas cirúrgicas não foram abertas no Hospital João XXIII;
• a primeira cirurgia ortopédica no Hospital Cristiano Machado ocorreu apenas em fevereiro de 2026;
• o número de procedimentos realizados em janeiro de 2026 pelas novas equipes foi de 204 cirurgias, abaixo das 300 mensais determinadas pelo Tribunal.
A verificação foi realizada após denúncia formal apresentada pelo Sind-Saúde/MG em janeiro de 2026, apontando que a decisão da Corte não vinha sendo cumprida pela gestão da fundação.
Para o Sind-Saúde/MG, o relatório confirma as denúncias feitas pelos trabalhadores da saúde e evidencia que o interesse primário do governo Zema era unicamente entregar ao setor privado os recursos da saúde, sem levar em conta a desassistência à população, o patrimônio material e cientifico que englobam o HMAL. O Sindicato classifica como mentirosas as declarações do governo e cobra a responsabilização daqueles que arquitetaram contra o serviço público, em ataque direto ao povo mineiro.
O Sindicato afirma que continuará acompanhando o caso e cobrando providências para assegurar o cumprimento das determinações do Tribunal e a garantia de atendimento adequado à população.

