Déficit de cirurgias ortopédicas na Fhemig expõe descumprimento de acordo com TCE e gera novos protestos por reabertura do bloco e gestão do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL)
Apesar de não cumprir com o acordo firmado com o Tribunal de Contas do estado (TCE) e manter a desassistência na ortopedia após a tentativa de fechar o Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), a Fhemig segue sua saga para entregar a gestão da unidade, agora, para a Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. As irregularidades no processo levaram o Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde) apresentar petição ao TCE e nesta quarta-feira (21/01) novos protestos foram realizados em frente ao Tribunal com objetivo de denunciar as ações dessa saga para privatizar os recursos do SUS.
Trabalhadores e o Sindicato denunciam que com o fechamento do bloco cirúrgico do HMAl durante todo o ano de 2025, mais de mil cirurgias não foram feitas, uma queda de 9% comparada a 2024. Durante a manifestação na porta do TCE, servidores pediram que uma comissão técnica do tribunal faça a vistoria com base no acordo firmado em setembro de 2025. Segundo eles, a vistoria irá constatar que não foi aberta bloco cirúrgico no Hospital João XXIII para receber as cirurgias ortopédicas e que estão prejudicadas o atendimento ambulatorial de traumas ortopédicos atendidos por esses hospitais. O HMAL era responsável por 85% desses atendimentos ambulatoriais e atualmente está com 17 pacientes internados, sendo a capacidade da unidade de 60 leitos.
Além da exigência para a reabertura do bloco, os protestos também miram a suposta vencedora do edital. O resultado que coloca a Santa Casa como vencedora da seleção ainda deve passar pelo TCE. As petições que questionam o edital apontam para graves problemas, inclusive com o descaso da Fhemig com o acordo de garantir a assistência que o próprio governo gerou com o fechamento do HMAL.
A relação de proximidade do secretário de Estado de saúde Fábio Baccheretti com a Santa Casa também é alvo de questionamento. Um vídeo com Fábio expondo essa relação já como secretário de saúde tem circulado nas redes sociais.
Além disso, as dividas milionárias da Santa Casa, noticiadas recentemente na imprensa, também chamam a atenção. O colapso financeiro estaria na ordem de R$50 milhões de custeio a unidades hospitalares de BH e a instituição já teria apontado preocupação com o pagamento dos salários dos trabalhadores.
Em abril, a Fhemig havia apresentado o Consórcio Instituição de Cooperação Intermunicipal do Médio Paraopeba (Icismep) para gerir o HMAL, mas com a decisão do TCE-MG o edital foi suspenso. No dia 06 de janeiro, ainda com a decisão do TCE em vigor, o governo de Minas anunciou a Santa Casa como nova vencedora do edital em uma reclassificação das entidades participantes. O nome da Santa Casa já circulava nos bastidores da Fhemig desde o segundo semestre de 2025.
O Sind-Saúde/MG reafirma que seguirá mobilizado e vigilante na defesa do Hospital Maria Amélia Lins como patrimônio do povo mineiro, referência no atendimento ortopédico e fundamental para a vida e a saúde de centenas de usuários do SUS em Minas Gerais.

